Artigos
O custo de gênero oculto do ecocídio na guerra
A crise climática é um sintoma de diferentes sistemas de opressão que priorizam o lucro em detrimento das pessoas e da natureza, incluindo o capitalismo, o racismo, o patriarcado, o colonialismo e o militarismo. Esses sistemas consideram as formas de vida como objetos a serem possuídos, controlados e consumidos, e as mulheres, os povos indígenas e as comunidades pobres são frequentemente explorados e afetados de forma desproporcional. À medida que a crise continua a se agravar, a comunidade internacional continua a falhar em abordar esses sistemas e seus impactos. Em vez disso, muitos Estados continuam financiando atividades militares, causando destruição climática e ambiental significativa, além de insegurança e violência.
Direito de acesso, uso e posse da terra para as mulheres é inseparável da justiça climática
As mulheres têm o direito de usufruir, de forma equitativa, de todos os seus direitos em relação à terra, incluindo o de acessar, usar, herdar, controlar e serem donas das propriedades. Para atingir a equidade de gênero de forma plena, os Estados devem cumprir com a obrigação de eliminar todas as formas de discriminação contra as mulheres - incluindo aquelas relacionadas à posse de terra -, recomenda a Organização das Nações Unidas. Apesar de 164 países reconhecerem esse direito feminino, apenas 52 o garantem na prática, como demonstra estudo da OECD de 2019.
Mulheres Insulares e a Crise Climática: Interseccionalidades em Foco
As mudanças climáticas afetam grupos de forma desigual, e mulheres e meninas estão entre os mais vulneráveis e expostos a riscos imediatos. Nos países insulares, considerados linha de frente pelo fato de os impactos já serem intensos, elas têm sido forçadas a desenvolver estratégias próprias de adaptação diante de uma rotina marcada por desastres climáticos.
Gênero nas negociações climáticas: história, disputas e o Plano de Belém
Entre 10 e 21 de novembro, durante a COP30, em Belém, Brasil, uma divergência central na definição do termo gênero travou as negociações do novo Plano de Ação de Gênero (Gender Action Plan, GAP, em inglês). Países mais conservadores, como o Irã, a Rússia e a Argentina, pediram uma versão baseada em um gênero biológico binário, classificado como masculino ou feminino, sem menção a papéis sociais e desigualdades estruturais entre homens e mulheres. O termo é visto como controverso devido às suas múltiplas interpretações, influenciadas por diferentes tradições, religiões e identidades de gênero, o que acaba criando campos opostos que têm dificuldade em dialogar sem conflitos. Gênero acaba caindo no campo de conceitos, como muitos chamam, de forte carga política.
Esclarecendo questões de gênero e empoderamento feminino nas revisões atuais das NDCs na COP30
Durante a COP21, 195 países assinaram o Acordo de Paris com a intenção de parar “o aumento da temperatura média global e reduzi-la para 2ºC acima dos níveis pré-industriais”. Para isso, introduziram as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NCDs), nas quais todas as Partes da Convenção devem criar planos de ação climática que incluam esforços de mitigação e adaptação, envolvendo múltiplos atores e setores da economia e ofereçam oportunidades únicas para integrar a questão de gênero. As NCDs funcionam como o principal mecanismo de um país para suas políticas e planos climáticos nacionais dentro de seu próprio orçamento, portanto, devem incluir, formar e levar em consideração aqueles mais afetados.