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Belém GAP na SB64: o papel dos Pontos Focais de Gênero e Mudança do Clima
Depois das últimas negociações climáticas que ocorreram no Brasil, em Belém do Pará na COP30, a agenda climática global de gênero entra agora numa nova fase: a da implementação do Belém Gender Action Plan (Belém GAP). Foi precisamente nesta ótica que a EmpoderaClima, como Organização Compromissada FACJ/Generation Equality, marcou presença e acompanhou a primeira semana da 64.ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, conhecida como SB64, realizada, como de costume, em Bonn, na Alemanha.
Quem decide sobre o clima?
Às vésperas das eleições de 2026, este artigo discute a relação entre representação política, gênero e justiça climática no Brasil. A partir de dados sobre a participação das mulheres na política e dos avanços do Gender Action Plan (GAP) nas negociações climáticas internacionais, o texto reflete sobre quem ocupa os espaços de decisão, quais perspectivas ainda estão sub-representadas e por que ampliar a participação das mulheres é fundamental para a construção de políticas climáticas mais inclusivas e representativas.
CORPOS-TERRITÓRIOS EM DISPUTA: o impacto invisibilizado das eólicas nas mulheres do Nordeste
Nos últimos anos, o Nordeste tornou-se a vitrine da energia limpa do Brasil, uma região agraciada por privilégios geoespaciais. Torres girando na linha do horizonte, contratos bilionários, empresas estrangeiras, discursos da política internacional e interna de que o país finalmente encontrou seu “caminho verde”. Mas há uma pergunta que quase nunca aparece nas manchetes: limpa para quem?
O custo de gênero oculto do ecocídio na guerra
A crise climática é um sintoma de diferentes sistemas de opressão que priorizam o lucro em detrimento das pessoas e da natureza, incluindo o capitalismo, o racismo, o patriarcado, o colonialismo e o militarismo. Esses sistemas consideram as formas de vida como objetos a serem possuídos, controlados e consumidos, e as mulheres, os povos indígenas e as comunidades pobres são frequentemente explorados e afetados de forma desproporcional. À medida que a crise continua a se agravar, a comunidade internacional continua a falhar em abordar esses sistemas e seus impactos. Em vez disso, muitos Estados continuam financiando atividades militares, causando destruição climática e ambiental significativa, além de insegurança e violência.
Direito de acesso, uso e posse da terra para as mulheres é inseparável da justiça climática
As mulheres têm o direito de usufruir, de forma equitativa, de todos os seus direitos em relação à terra, incluindo o de acessar, usar, herdar, controlar e serem donas das propriedades. Para atingir a equidade de gênero de forma plena, os Estados devem cumprir com a obrigação de eliminar todas as formas de discriminação contra as mulheres - incluindo aquelas relacionadas à posse de terra -, recomenda a Organização das Nações Unidas. Apesar de 164 países reconhecerem esse direito feminino, apenas 52 o garantem na prática, como demonstra estudo da OECD de 2019.